DF: venda de carro cai 55% e concessionárias se reiventam para não fechar

 

A crise econômica resultado da pandemia do novo coronavírus tem estimulado a criatividade dos empresários no ramo de compra e venda de veículos. Impactado diretamente pela paralisação das atividades, o setor viu o número de emplacamentos nos cinco primeiros meses deste ano despencar pela metade.

Dados do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal (Sincodiv) apontam que o setor registrou 54,27% menos emplacamentos entre janeiro e maio em comparação ao mesmo período de 2019.

A queda no total de veículos emplacados é um dos índices que ilustram o impacto negativo da pandemia no setor. O mês que apresentou maior redução foi março, quando o Governo do Distrito Federal decidiu suspender a atividade das concessionárias, entre outros segmentos, como medida de controle ao avanço da Covid-19 na capital do país.

Ao Metrópoles, o presidente da Associação das Empresas Revendedoras de Veículos do DF (Agenciauto), João Rodrigues Neto, disse que o rombo inicial aos colaboradores beirou a casa dos 90%. A restrição, contudo, não durou muito e o Executivo local, menos de um mês depois, permitiu a retomada das atividades nas concessionárias.

“O prejuízo inicialmente foi muito grande, nossas vendas caíram 90%. Mas nosso setor foi muito privilegiado por ter ficado tão pouco tempo fechado, e temos tido uma recuperação surpreendente”, afirmou.

O empresário Maurício Mustefaga explica que os comerciantes mais impactados pela crise têm sido os proprietários de concessionárias voltadas para a venda de veículos zero quilômetro. “As fábricas pararam de produzir, os estoques foram vendidos, mas não repostos. A produção de carros está mais lenta e as montadoras subiram o preço dos carros. Houve um reajuste no valor”, detalhou.

Recuperação

Com a redução nas vendas do zero quilômetros, compradores estão mais dispostos a gastar em veículos seminovos pelo custo-benefício. “Esse segmento específico foi muito pouco afetado no primeiro momento. Muita gente está migrando para o seminovo. Por isso a redução não é tão grande como a de veículos novos”, acrescentou Mustefaga.

Outros dois segmentos que apresentam crescimento após o retorno das operações são os leilões de automóveis e a modalidade da troca com troco.

“Bancos estão oferecendo muitas possibilidades, parcerias com empresários e clientes e isso tem atraído o consumidor. Outro fato curioso é que o brasiliense está preferindo comprar um carro, mesmo que usado, para não depender de aplicativos de transporte por medo do contágio”, explicou o presidente da Agenciauto.

Oportunidades

Nem todo comerciante tem reclamações para fazer sobre o cenário atual. Recém-proprietário de uma concessionária na Cidade do Automóvel, Marcos Vinicius Simonassi afirma que a crise permitiu o crescimento de sua empresa.

“Apesar do faturamento ter caído cerca de 30%, a mão de obra e o aluguel ficaram mais baratos. Se em novembro tinham poucos funcionários, hoje tem oito colaboradores e estou operando em uma loja três vezes maior”, comemorou.

Simonassi tem projeções otimistas sobre o futuro do setor. “As vendas estão mais acertadas, o brasiliense está pesquisando mais antes de agendar um horário para visita. Está mais fácil para fechar a venda, são clientes mais decididos sobre condições, carros e modelos. Estamos otimistas”, disse.

 Cuidados especiais

Autorizadas a funcionar pelo Executivo local, as concessionárias estão tomando cuidados especiais para garantir a segurança de colaboradores e clientes.

Funcionários e compradores são obrigados a usar máscaras de proteção contra o novo coronavírus durante todo o atendimento. Além disso, os estabelecimentos comerciais estão equipados com dispensers de álcool em gel e a entrada só é liberada após medição de temperatura.

Outra preocupação da Associação das Empresas Revendedoras de Veículos do DF é a testagem dos colaboradores. A entidade estima ter submetido mais de 600 funcionários do ramo a exames para detecção da Covid-19.

A testagem não é restrita aos trabalhadores do setor e brasilienses interessados também podem fazê-la, por R$ 130.

O índice de infectados ainda é muito baixo entre os profissionais do segmento, conforme informado pelo representante da Agenciauto. Os diagnosticados com a doença recebem orientações de um médico contratado pela própria associação.

Fonte:Redação com Metrópoles