Bordado Labirinto do Ingá entra na rota da moda internacional

Em 2022, a técnica do labirinto artesanal será apresentada nos mais importantes eventos mundiais do setor de moda: na Première Vision Paris , em fevereiro, na Premium Berlin , em julho; e na Brasil Eco Fashion Week , na Milan Fashion Week , em setembro.

A iniciativa é fruto do Programa Inovando o Labirinto de Ingá , um esforço para tornar a técnica artesanal mais valorizada e sustentável. “O objetivo é preservar, inovar, treinar e, sobretudo, transformar a técnica labiríntica em um ofício economicamente viável para os artesãos”, declara Robério Lopes Burity, prefeito da cidade.

Apesar de ser reconhecida como Patrimônio Imaterial do Estado da Paraíba , a arte do bordado labiríntico tornou-se um ofício estagnado, reduzido a itens de enxoval para a casa. Devido ao seu baixo valor comercial, a técnica artesanal dominada principalmente pelas mulheres rurais corre o risco de cair no esquecimento. Os poucos artesãos da cidade de Ingá têm feito renda labiríntica apenas como uma atividade de lazer – deixando para trás a cultura do conhecimento passado de geração em geração. Assim, como o trabalho artesanal não traz sustentabilidade econômica, tira o interesse dos jovens pelo artesanato.bordado_paraiba_crivo_labirinto

Com inovações da Natural Cotton Color, bordado de labirinto pode gerar ganhos de mais de 500% para rendeiras e retomar o interesse pelo artesanato em Ingá, na Paraíba

As amostras que deram início ao projeto de inovação da renda labirinto surgiram com a solicitação de amostras dessa técnica pela empresa Natural Cotton Color, marca de moda sustentável da Paraíba com sede em João Pessoa, Paraíba, que participa de eventos internacionais de moda.

“Sempre quis colocar renda de labirinto nas minhas coleções, mas precisava ter mão de obra qualificada para produzir 10, 12 e 15 metros de tecidos bordados dentro de um prazo específico”, explica Francisca Vieira, CEO da empresa. Para isso, ela sugeriu inovações que garantiram produtividade e geraram uma renda muito maior para os artesãos.

A moda como oportunidade de desenvolvimento econômico

Segundo pesquisa com artesãos, são necessárias 16 horas de trabalho para produzir um pano de bandeja que é vendido para atravessadores por R$ 20,00. O produto é vendido em feiras de artesanato, principalmente no Nordeste. Enquanto o salário mínimo no Brasil é equivalente a R$ 5,51 por hora, trabalhadores labirínticos só podem ganhar o equivalente a R$ 1,25 por hora. “Se dependessem apenas do labirinto, essas mulheres morreriam de fome”, resume a professora e artesã Janaína Alves.

Com a troca do tecido comum por outras tramas mais nobres, do fio de costura por outro mais grosso, a remuneração chegou a R$ 6,82 por hora – representando um aumento de mais de 500% no valor do trabalho manual. Ficou claro para a prefeitura de Ingá a necessidade de um programa de capacitação e um novo olhar sobre o bordado tradicional da região.

O bordado do labirinto foi reconhecido como Patrimônio Imaterial do Estado da Paraíba

Para a artesã Janaína, professora do programa Inovando o Labirinto de Ingá, a principal inovação é a entrada da renda labirinto no mercado da moda, algo que sempre sonhou. “A moda é um setor com muita demanda e com maior valor agregado. Sendo pago por hora e não por peça, há uma nova perspectiva para as artesãs da renda labirinto, tornando-a, de fato, sustentável”, comemora.

Com esses resultados, o primeiro grupo já recebeu inscrições de 20 mulheres, mas a ideia é atingir as 400 artesãs da região que já dominam outras técnicas. De acordo com a prefeitura de Ingá, o público-alvo são os artesãos que aceitam a proposta de inovação em todo o processo produtivo da técnica da renda labiríntica.

“Há outras empresas que pretendem pagar por hora trabalhada. Isso porque eles não querem comprar um labirinto sem desenho e em tecidos de baixa qualidade. Essas empresas querem inovação e estão dispostas a pagar pelo menos 300% a mais do que foi pago pelos intermediários”, diz o prefeito.

Dessa forma, o programa, além de melhorar o desempenho econômico dos artesãos, deve atrair a atenção da juventude local. “No último encontro de apresentação do programa, havia jovens de 16, 17 e 20 anos, que há muito não víamos”, comemora Burity. A expectativa é ir além da valorização e expansão do labirinto para o mercado. “Queremos enaltecer, reconhecer e preservar o trabalho dos labirintos para que nossa cultura e riqueza artesanal permaneçam vivas por gerações”, disse Burity.Sítio Arqueológico do Inga

O artesanato do Labirinto faz parte da cultura Ingá. A cidade é conhecida pelo sítio arqueológico com inscrições rupestres em baixo relevo.

A empresária da Natural Cotton Color Francisca, responsável por levar a técnica ao mercado nacional e internacional, e co-criadora do programa, destaca que a ação de capacitação deve ser focada na geração de sustentabilidade econômica, atraindo mais empresas de outros estados brasileiros. “Para ser viável, deve haver também um designer na mediação entre novos compradores e artesãos, focado em soluções técnicas e na criação de novos produtos para moda e decoração”, afirma.

O programa desenvolvido pelo município do Ingá envolve os distritos de Chã dos Pereiras e Pontina e a comunidade quilombola de Pedra D’água. A prefeitura fornecerá os materiais didáticos e o certificado de conclusão. O programa “Inovando Labirinto do Ingá” é apoiado pela Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Economia Solidária, em conjunto com o Governo do Estado da Paraíba.

A aumentar os ganhos, promover a valorização do trabalho, elevar a valorização e promover o trabalho artesanal

Fonte: .ecofriendlycotton com Assessoria